Wednesday, December 20, 2006

Sonho-te

Nas sombras esguias das manhãs submersas de olhares em passados, sinto-te. E acompanho-te. Nos meus passos que também são teus, a desligar-me nas noites que talvez existam. Mas que agora não tornarão a existir.

E por alguns passos aquando deste frio de Natal, sonho-te. Talvez sem querer.

Mas sonho-te. Ser um simples fragmento do que sinto quando toca esta música solta de toda e qualquer inocência, com o intuito de apenas te poder tocar, de te poder ver sorrir sobre tudo o que existe num infinito que sei não existir, mas é por isso que existe a palavra “sonhar”.

Gostava, gostava de te mostrar que te amo. Mas não sei o que é amar.

Tudo o que queria, eras tu.

Mas a música que termina e que me faz ver aquele Sol gelado a acordar Lisboa voltar a ser um horizonte cintilante. Como cada dia ser mais um.

Tuesday, November 28, 2006

Partida

Agarrei-me sempre na incerteza de perseguir o que mais queria, e foi na ânsia de querer que perdi o que sou hoje.

Pois eram as noites ainda vincadas em lençóis de sonhos que escutava as portas a fecharem-se nas noites de garagens em suicídios repentinos a agarrarem-se às vontades.

E já eram cinco da tarde quando gritei por ti nos tempos da minha loucura, e nunca, repito: nunca quiseste mostrar o lado da lua que vicia e acolhe as tempestades em abraços ternos fazendo-nos apenas sentirmo-nos um.

E gritei para te ter. E abracei-te. E quis ser-te e ter-te.

E o tempo. Esse que não fala mas passa. Rouba-me o espaço do teu olhar e fecha-me neste caos de sorrisos vagos, que não são mais do que ilusões de mim em ti.

E voltei a gritar para te ter. E voltei a abraçar-te. E quando quis ser-te e ter-te.

Partiste.

Para voltar a ter o tempo que não fala mas passa…

Monday, November 20, 2006

Um final de dia


não sei se o mar seria teu,
se nas palavras que dirias
fosses hoje este sol de tarde esquecido
a recortar-te nas memórias
a músicalidade de seres apenas
um final de dia.

Sunday, October 01, 2006

d45

Quando percorro em redor do meu silêncio e vejo a tarde a cair numa estrada vazia, espero; e torno a cair na leveza de ser e não ser nada.
E num supermercado onde não há estrelas nem luares de paixão, e onde existe apenas a manteiga e o pão de todas as formas e feitios à espera de ser encontrado e devorado. Desligo-me.
E não sei o que digo, nem o que sinto.
E não quero ser pão nem manteiga.
Quer ser apenas eu e a tua ideia.
Mas tu,
não existes.

Tuesday, September 19, 2006

Angustia



não respondo ao sinal
de ser apenas a existência
a moldar as noites
que nas estrelas espelham-te
as formas de te querer.

mas sonho-te
às vezes, sem querer,
... e por este gesto,
não sei se sinta o mar
ou as palavras
que dirias
se ainda fosses hoje.

Saturday, September 09, 2006

Cocaine




Dressed up in a white tiny dress
And a smile upon the mess
Beside the moons of myself
I look ahead to feel
The closer distance
Of my existence.


Saturday, September 02, 2006

Sangue

Fecha os olhos,
Quebra o silêncio que te anoitece.
E abre os espaços,
Nos horizontes de uma janela inexistente.
E persegue gentilmente os sonhos
Que sempre foram passado.
E dissolve-te,
Na ausência de tudo ser vão.
E parte!

E se te perguntarem ou julgarem
Entregando o amor que precisas,
Rejeita, Rejeita, Rejeita!
Pois não sabem o que dizem ou sentem.
Mentem!

A ilusão é constante, é infinta.
Não guardas saudade,
Apenas breves ausências momentaneas da tua só,
Existência.

Apaga e desliga o sofrimento,
Desliza o calor e mancha a arte de um sangue que já foi teu.

Thursday, August 24, 2006

Noite


não há segredos,
existem apenas palavras escondidas,
nos silêncios obscuros de solidões acostumadas
à saudade que não são saudade,
mas sim ausência;
na sua essência.

e o espaço,
continua;
aberto, ao som de ser som,
na músicalidade núa
de uma baça luz sonhada em tons discretos e fechados
de ser noite;
só tua.

e sinto-te sem tocar alto,
no ar cintilante que paira
na sombra de uma luz atravessada
ao teu pensamento.

Tuesday, August 22, 2006

CO

despregadas as folhas do tempo
caiem nos caminhos perdidos
os sons do passado.
solta-se no vento o silêncio
de um vazio sentido
nos breves sois de mil cores
que desenham as sombras curvadas
dos bancos que sustentam ainda
o amor no inverno.

caminhos e traços perdidos
nas margens de sons
atravessam as pontes,
os destinos de esquecimentos
até o dia ser a morte.
e no som de ser noite já caída
vejo-me de ser só aquilo que sou
em monóxido de carbono.
leve.
desligo.

Sunday, August 20, 2006

Baloiço

Baloiço no verão a noite caída,
sob as estrelas pintadas
na sombra de uma lua despida.
Num frio desassossego de um olhar
desenho-te a janela do meu rumo
insistentemente a sonhar.
Como se as ruas fossem rosas
e as rosas as prosas rasgadas
de amor num céu distante
que é teu.
só teu.

Sunday, August 06, 2006

Assim

o mundo cai numa simples curva de luares,
na electricidade suspensa da essencia.
à tua boca despida na ausencia.

e nos gestos de amor
que caiem assim no sol tórrido da terra.
magnetizam-se,
moldam-se e tornam a despir
à lama de uma chuva.
onde as estrelas que inundam o teu olhar:
sonham-te;
Assim...

Wednesday, July 05, 2006

Um sol esquecido num passado, vinca o mar e as estrelas em luzes de sons à procura do teu amor.
As palavras soltas de solidões vazias, esqueçem-me do mundo e da tarde mergulhada de olhares comuns de ausência no teu perfume.
As claras e escuras noites de luares repletos de ventos trazidos na saudade que inunda os olhos para te querer.
Beijam-te ao mesmo tempo sem saber o que te dizer.

Tuesday, June 20, 2006

De cabeça vazia

De cabeça vazia
Sou sonhador,
Numa leve, suave dor
De ser quem o sou.

E minto
Minto-te
Quando as folhas caídas de sol
Rompem e entopem o Outono vazio
Num frio bafio todo este amor.

Wednesday, March 08, 2006

Num canto

Num canto,
o nú dobra-se de ser sol
em brilhos salgados.
Beija-se de horizontes terrenos,
que diz ter.
E assim despindo-me de ti
num punhado de cinza fresca caída
à tua imagem
liberto o céu,
e faço-me ver,
nas ondas da tua maré.

Os silêncios.