Saturday, November 26, 2005

ainda me lembro

lembro-me das estrelas caidas nos telhados
das nuvens que não eram nuvens
dos sorrisos espalhados nas escadas
das noites de luzes amarelas
que nas ruas e nas luas estendidas
faziam-me assim voltar.

lembro-me dos olhos pretos
da descida que caía para um céu
num olhar..
do teu respirar a fazer-me assim gritar.

lembro-me do sofá e daquela música
que tinha cor mas não era cor.
eras tu.
e era a sala fechada. imaginada.

lembro-me da chuva do teu abraço
do castelo que não era castelo
era baloiço,
ou eram palavras.

lembro-me de me olhares
lembro-me das flores
do telefone e dos sons ao cair da tarde

não te olhei nas estrelas
e sei, que por não te olhar.

ainda me lembro.

Friday, November 18, 2005

Chelsea Hotel


Ninguém gosta de acordar com o despertador. Ninguém.
Mas hoje. E talvez noutros dias tenha gostado de acordar na culpa do despertador. Hoje o dia tornou-se mais belo, graças ao meu despertador. Tocou o Chelsea Hotel de Leonard Cohen. Nunca tinha ouvido esta musica numa radio. Acordei bem disposto. Gostava que todos os dias fossem assim.

Deixo aqui a letra e a capa de um melhores albums de Leonard Cohen.

Album: New Skin for Old Ceremony




Chelsea Hotel


I remember you
well in the Chelsea Hotel,
you were talking so brave and so sweet,
giving me head on the unmade bed,
while the limousines wait in the street.
Those were the reasons and that was New York,
we were running for the money and the flesh.
And that was called love for the workers in song
probably still is for those of them left.

Ah but you got away, didn't you babe,
you just turned your back on the crowd,
you got away, I never once heard you say,
I need you, I don't need you,
I need you, I don't need you
and all of that jiving around.

I remember you well in the Chelsea Hotel
you were famous, your heart was a legend.
You told me again you preferred handsome men
but for me you would make an exception.
And clenching your fist for the ones like us
who are oppressed by the figures of beauty,
you fixed yourself, you said, "Well never mind,
we are ugly but we have the music."

And then you got away, didn't you babe...

I don't mean to suggest that I loved you the best,
I can't keep track of each fallen robin.
I remember you well in the Chelsea Hotel,
that's all, I don't even think of you that often.

Tuesday, November 15, 2005

escrevo - 02

às vezes quando os sonhos não são nada mais do que fragmentos sós de liberdade.
fechamos os olhos com a maior força.
e ainda mais força.
juntamo-nos.
agarramo-nos à vontade.
mas.
são eles uma estrada infinita num desejo apertado num tesouro agora vazio, repleto na realidade.

Monday, November 14, 2005

Segunda-Feira - 12:33 - 14 de Novembro 2005

Hoje o dia parece sorrir. Apesar do frio, vejo o céu azul, o sol a pintar as cores das coisas como devem ser vistas da janela de onde acordo todos os dias.
Apesar deste equilibrio de sol e cores, a felicidade das pessoas parece-me indiferente dos sois ou das chuvas pesadas de Dezembro. A vida continua.
Ponho-me a pensar que estou a ficar assim. Assim como toda a gente. Pois tenho 26 anos. Sou um homem. Tenho que casar. Ter uma mulher que me trate bem. Ter filhos. Ter emprego e nunca mais olhar o sol como olhei nesta manhã. Pois serei um homem e um Homem não tem tempo para olhar para o sol e para as cores da rua. Tem tempo para dizer que é homem e que está cansado do emprego. Tem tempo para dizer que ama a mulher e os filhos. Tem tempo para mentir. Tem tempo para falar de futebol nos cafés. Mas olhar para o sol e para este céu cheio de azul não é ser homem. É perder tempo.
As vezes gostava de poder morrer e nunca mais viver. Mas ao pensar que deixaria de sentir o frio desta manhã e deixaria de ver o céu azul a dar-me todas as cores deste mundo. Prefiro estar vivo. E viver sem ser homem.
Fecho a janela e vou me mentindo pelos ares onde o tempo me leva.

Saturday, November 05, 2005

escrevo - 01

Hoje sei que tudo o que escrevo é vão.
Sei hoje que tudo ou nada é importante no qual apenas vivo o que respiro.
Mas sei, que hoje dou valor ao que escrevo embora ninguém olhe ou sinta ou pense nas linhas que aqui obrigo a ficar.
Às vezes, muitas vezes, sinto pena das linhas, das palavras, das frases e até das ideias que aqui ficam. Não mereciam aqui estar. Porque parte delas são o meu pensamento, mas que por sua vez não deixam de ser palavras com outros usos, com outras sensibilidades ou ideias.
Sei agora. Sei mesmo que todas estas palavras são minhas. Mas peço desculpa a todas estas letras e palavras por aqui estarem a tomar o meu rumo ou sentido. Talvez elas, estejam tristes e de orgulho baixo a mostrarem-se neste texto.
Não me sinto culpado. Porque sei o que sinto.