Monday, November 14, 2005

Segunda-Feira - 12:33 - 14 de Novembro 2005

Hoje o dia parece sorrir. Apesar do frio, vejo o céu azul, o sol a pintar as cores das coisas como devem ser vistas da janela de onde acordo todos os dias.
Apesar deste equilibrio de sol e cores, a felicidade das pessoas parece-me indiferente dos sois ou das chuvas pesadas de Dezembro. A vida continua.
Ponho-me a pensar que estou a ficar assim. Assim como toda a gente. Pois tenho 26 anos. Sou um homem. Tenho que casar. Ter uma mulher que me trate bem. Ter filhos. Ter emprego e nunca mais olhar o sol como olhei nesta manhã. Pois serei um homem e um Homem não tem tempo para olhar para o sol e para as cores da rua. Tem tempo para dizer que é homem e que está cansado do emprego. Tem tempo para dizer que ama a mulher e os filhos. Tem tempo para mentir. Tem tempo para falar de futebol nos cafés. Mas olhar para o sol e para este céu cheio de azul não é ser homem. É perder tempo.
As vezes gostava de poder morrer e nunca mais viver. Mas ao pensar que deixaria de sentir o frio desta manhã e deixaria de ver o céu azul a dar-me todas as cores deste mundo. Prefiro estar vivo. E viver sem ser homem.
Fecho a janela e vou me mentindo pelos ares onde o tempo me leva.

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