Percorro traços
Percorro silêncios
Pelas paredes gastas
De olhares tristes.
Sinto a música a encostar-se
Nas cadeiras penduradas
Ao sol de uma cortina
Amarelecida de fumo e luz.
Nas fotografias
Estas tu, e só tu
Pois nunca fiz parte de nada
Nem de ti.
Eu não existo!
O vento traz saudade
A toda esta luz invernosa
Que aclama ser noite
Fria fina e leve
Como o estrelar de sonhos passados.
Vejo as folhas que encantaram
Os baloiços de gargalhadas,
E agora,
Amarelecidas pousam
Suavemente na terra
Tristes de terem nascido
À volta dos meus sonhos.
Embora acredite:
Que possam um dia voltar a ser
Verdes ou mesmo flores
De sorrisos plenos de felicidade
Mas nesse dia sei que não existirei.
Friday, November 19, 2004
Monday, November 15, 2004
Bucólico
Tudo passou,
E esse teu ar que me levou
Chora agora escondido
Pelos parques da minha cidade.
O Outono cai
E tudo se esvai
Por entre sorrisos distantes
De serem puros
No coração que bate
E mente.
- Bucólico, eu?
- Talvez.
Enrolado na calma
De uma cama
Contemplo,
Medito e aclamo:
- Bucólico, eu?
- Uma vez.
E esse teu ar que me levou
Chora agora escondido
Pelos parques da minha cidade.
O Outono cai
E tudo se esvai
Por entre sorrisos distantes
De serem puros
No coração que bate
E mente.
- Bucólico, eu?
- Talvez.
Enrolado na calma
De uma cama
Contemplo,
Medito e aclamo:
- Bucólico, eu?
- Uma vez.
Sunday, November 14, 2004
Tudo flúi
O rio corre,
E continua a correr,
São águas passadas
E mesmo assim sendo
Continuam a sofrer.
Ainda flúem ao longe
De tão perto,
As memorias
Nas águas correntes
Que esta ponte beijou.
Não me dignei a parar
Nem olhei,
Apenas pensei
Em amar
Sobre estas águas que passei.
E os dias caiem
Nas noites súbitas,
Nunca fui feliz
Porque sempre sonhei
E sonho
Dentro de aguas paradas
Que não existem.
Porque tudo;
Tudo flúi.
E continua a correr,
São águas passadas
E mesmo assim sendo
Continuam a sofrer.
Ainda flúem ao longe
De tão perto,
As memorias
Nas águas correntes
Que esta ponte beijou.
Não me dignei a parar
Nem olhei,
Apenas pensei
Em amar
Sobre estas águas que passei.
E os dias caiem
Nas noites súbitas,
Nunca fui feliz
Porque sempre sonhei
E sonho
Dentro de aguas paradas
Que não existem.
Porque tudo;
Tudo flúi.
Saturday, November 13, 2004
Nas paredes do meu Inverno
Talvez nascesse no dia errado.
Ou quem sabe
Num antro condenado.
Sei que sempre posso gritar
Diante deste silêncio
E que nem na ausência de ruído
Incomodo o vazio
Neste tempo frio
Que cai e sempre cai
Sobre os meus ombros
De neve esquecida
Pelo vento de folhas de jornal
Trazido do passado.
Os bancos curvados
As luzes ofuscadas de tanta luz
Pingam cores e desenhos pelas ruas perdidas
Até às solidões esquecidas
Nas paredes do meu Inverno.
Tuesday, November 09, 2004
Chuva 5am
Embrulhado na chuva
Perdida num caixote vazio
Que nem mais lixo soube ter
Espreitava-me o dia a crescer.
Afastado, como sempre
A ver-te brilhar, sorrir e correr
Distante!
Sem choque.
Sem amor,
Porque o amor que tinhas
Só restou no desejo de te ver.
Perdida num caixote vazio
Que nem mais lixo soube ter
Espreitava-me o dia a crescer.
Afastado, como sempre
A ver-te brilhar, sorrir e correr
Distante!
Sem choque.
Sem amor,
Porque o amor que tinhas
Só restou no desejo de te ver.
Saturday, November 06, 2004
Ponte
Não fiz por crer
Nem te soube responder.
Mas quando pinto os céus
E os silêncios
Nas cores da saudade
Minto-me
Em solidões indesejadas.
E o amor que sempre foi salgado
Mantém-se ainda acordado
Nesta noite triste
Que chove e escorre
O passado.
E tudo…
Tudo é sonhado,
Até os sorrisos
Que me deste.
Foram rasgados de sangue
E morte.
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