Friday, November 19, 2004

Não existo

Percorro traços
Percorro silêncios
Pelas paredes gastas
De olhares tristes.

Sinto a música a encostar-se
Nas cadeiras penduradas
Ao sol de uma cortina
Amarelecida de fumo e luz.

Nas fotografias
Estas tu, e só tu
Pois nunca fiz parte de nada
Nem de ti.

Eu não existo!

O vento traz saudade
A toda esta luz invernosa
Que aclama ser noite
Fria fina e leve
Como o estrelar de sonhos passados.

Vejo as folhas que encantaram
Os baloiços de gargalhadas,
E agora,
Amarelecidas pousam
Suavemente na terra
Tristes de terem nascido
À volta dos meus sonhos.

Embora acredite:
Que possam um dia voltar a ser
Verdes ou mesmo flores
De sorrisos plenos de felicidade
Mas nesse dia sei que não existirei
.

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