Agarrei-me sempre na incerteza de perseguir o que mais queria, e foi na ânsia de querer que perdi o que sou hoje.
Pois eram as noites ainda vincadas em lençóis de sonhos que escutava as portas a fecharem-se nas noites de garagens em suicídios repentinos a agarrarem-se às vontades.
E já eram cinco da tarde quando gritei por ti nos tempos da minha loucura, e nunca, repito: nunca quiseste mostrar o lado da lua que vicia e acolhe as tempestades em abraços ternos fazendo-nos apenas sentirmo-nos um.
E gritei para te ter. E abracei-te. E quis ser-te e ter-te.
E o tempo. Esse que não fala mas passa. Rouba-me o espaço do teu olhar e fecha-me neste caos de sorrisos vagos, que não são mais do que ilusões de mim em ti.
E voltei a gritar para te ter. E voltei a abraçar-te. E quando quis ser-te e ter-te.
Partiste.
Para voltar a ter o tempo que não fala mas passa…
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