Monday, October 25, 2004

Violeta

Violeta, violeta, danças como uma borboleta,
Adoças-te nas flores que pairas,
Numa simples gota deste teu flutuar,
Deixas-me sem respirar.

Delicada na forma de ser,
Deliciada na forma de colher,
Escolhes-me a mim neste mundo sem fim,
Onde não me posso encolher.

Espaço em espaço, passo a passo,
Espreitas num canto o meu espanto,
Olhando para as tuas asas.

Voo contigo nas asas dançantes,
Liberto-me deste peso que vive em mim,
No ar, na vida que brilha em mim.

13-01-2003

Sunday, October 17, 2004

Estende-se a morte

Quando eu morrer
Tempestivo e expectante de uma realidade
Serei apenas aquilo que fui,
O nada, o vinco desfolhado de uma alma.

Esquecimentos perfeitos
Envolvimentos desfeitos
De sonhos pintados em pastel
Na tela que ainda consome
A dor no nada
Num dom e num som
Que se estende ao sol
Como um gato resignado.

Escondem-se as luas passadas
E tudo era
O que já não existe.

Deixem-me morrer
Longe de quem sou,
Em pensamentos sonhados
Pelos instáveis caminhos de aviões de papel.

Thursday, October 14, 2004

Alcool em verdade

Mente a noite, sozinha.
A rasgar-me a carne
Que por dentro, arde só.

Em tragos de Lua cega,
Bebo, brindo e morro
Na minha solidão.

E as escadas caminham tortas
Ao abstracto sentido errado
De tudo ser ilusão.

Na morte
Perseguida em flor.

Dia de Verão

Dias são noites frias de Verão
Nos vincos de pensamentos perseguidos
Dos longos ventos, cuspindo-me o não.

E os rios que corriam atrás do tempo,
Perdidos, despedaçados e afogados,
Sabiam a sal de um mar ainda por sonhar:

Num triste dia de Verão.