Os céus negros
Suspensos de lamaçal
Pegados de mal
Vingam-se de traições
Estendem-se em vendavais submersos
E nenhum se abre à tua mão.
Correntes de ar e sol
Nos negativos de sal
Fotografam sorrisos
E dentes brancos
Com a cal do Alentejo
Nas tuas vazias mãos.
As janelas estavam sem chama
No sol posto distante de tudo
Inclinei o olhar
E vazio foi o teu sorriso,
Tinha feridas no recanto do fogo
Que me deu para sonhar fechado.
O cofre era amarelo
Como as torradas e a manteiga das manhãs
Nelas não havia sentido nenhum
Pois de cofre só tinham a cor
Fechei e enterrei o passado
Porque nele existi apenas só.
As pontes nos rios passaram
Em relâmpagos alaranjados
Nas ruas submersas de mim
De ilusões desfeitas em ti,
Pois respiro o ar na sombra desse olhar que vive assim.
Simplesmente assim.
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