O vento que ainda despe as ruas
Nuas de prazer sem saber porquê
Nas lojas fechadas e isoladas em correntes
De aço e força de esconder sabe-se lá o quê.
Rasgam a noite triste,
Como cartas vazias ou natais perversos.
Sempre a mesma fantasia
Nestes cem mil universos.
Fumo um cigarro no frio
Caído, como um sem-abrigo
Estou só nesta rua deserta
Cheia de cor e natal
Sempre fui sozinho
E por isso mando-te este postal.
Guarda-o.
Sente-o, pelo menos uma vez
Com todo o meu sorriso
Que te dei, e dou mais esta vez.
O frio desfaz-me as palavras
Bem sei que não podes ver
Nem sentir o meu coração a bater,
Mas acredita que ainda bate forte
Só para te ver.
Não existe sentido, não existe caminho
Os teus olhos foram vazios
E eu que puro fui e sou
Choro nas tuas mentiras.
Mas sei que não,
Que não haverá ninguém
Que gostasse tanto de conhecer o teu interior
Como eu.
Que gostasse tanto de ti,
Como eu.
Mas deixo-me de que’s
E comparações,
A verdade é que nunca gostaste de mim
E são essas as conclusões.
Fecho melhor este casaco
Assino o postal
E caminho pela rua
Pelo natal
Sozinho
A recordar o teu sorriso.
Dobro a esquina
Desta rua cansada
Cheia de natal.
Que agora fica sozinha
Presa pelo vento
Solta pelas luzes
Esta rua vazia
E cheia
A tua prenda de natal.
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