Não te deixo ser,
Nem voar em lençois brandos
E gastos de asas
Mergulhadas em amor
Num Outubro distante
De um mês qualquer.
Não te deixo ir,
Em olhares molhados de luares
Que ambientam a chuva caída
De tempestades nulas
Vestidas nas folhas acabadas
Que vagueiam solidões.
E não te deixo partir,
Porque amo, tudo.
O que és para mim.
Não te deixo ir,
Em palavras soltas
De cores vivas
Que sonham em ti
De vermelhos vultos
A esbater-me assim.
Não te deixo ser,
E mesmo assim
De asas ao mundo
Disperso-me:
Porque amo, tudo
O que és para mim.
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