Friday, September 16, 2005

relógios

vi sem querer
o mar dentro de um relógio
tentei percebe-lo
mas quanto mais o conhecia
menos me existia

ondulavam-se tempos
minutos e segundos
tremidos pelas marés
e as lágrimas que eram salgadas
passaram a ser simples
relógios num mar

Monday, September 12, 2005

não

os retratos rasgados pelo rio
de uma chuva que colhe tempestades
dissolve silêncios.

os sons suspensos de felicidade
resfriam-se na noite caída
pelas solidões de te ver.

o amor não existe.

aquelas palavras escondidas
morrem.

e dentro onde o sol sopra
arde, arde.

arde.

Saturday, September 10, 2005

amanhecer

solto no tempo
os mundos mudos
que me guardam horizontes.

muralhas, garrafas
em palavras incisas e frias
de um pó de ser
trago no vento o sol
que me faz amanhecer.